domingo, 6 de abril de 2014

Bola de Cristal Oficial da Copa

Cheguei essa semana de curtas férias pela América Latina. Pousamos no aeroporto de Guarulhos a meros 70 dias da Copa. Para minha surpresa - já nem tanta - não vi nada que remetesse ao evento. Principalmente na loja do free shop, parceira oficial de vendas de produtos nos aeroportos... nada! Talvez os produtos até estejam lá, mas bem escondidos. O que esperam dos estrangeiros que passam pelo Brasil estes dias? Que voltem só para comprar os produtos? Provavelmente, a maioria deles voltará em 1 ou 2 anos e olhe lá. Se os produtos licenciados serão comercializados apenas para os torcedores que vierem para a Copa do Mundo, será uma grande perda. Enfatizando que estamos falando de um ponto-de-venda no aeroporto internacional, claro. Mas o fator crítico da operação de varejo de um megaevento como esse é a previsão de demanda. Cada evento é tão único e grandioso que torna heróica a tarefa de antecipar o volume total de vendas. O que dizer sobre quais os produtos, modelos e cores serão melhor aceitos pelos fãs. Os anos e meses antes da Copa deveriam servir para calibrar estas expectativas e deixar tudo redondo para quando as vendas explodirem, nos mês do evento. Essa é uma operação de um tiro só, ou seja, todos os pedidos para os fabricantes serão baseados nesta única projeção.  Da forma que está sendo feito, a tarefa se torna praticamente impossível, a não ser para quem tiver uma bola de cristal. Em falar em bola de cristal, posso prever que as vendas ficarão longe do seu potencial - e posso apostar também que dirão o contrário.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sochi: Ar condicionado para o olhos

em http://news.bbcimg.co.uk
As Olimpíadas de Inverno de Sochi chegaram ao fim, mostrando que os esportes no gelo caíram de vez no gosto do brasileiro. Talvez por estarmos no nosso ciclo olímpico, talvez por ter caído nas graças da mídia. Talvez seja ainda pelo crescimento de 80% na penetração da TV fechada no país, nos últimos 4 anos, que tenha atingido a devida relevância. Considerando que não temos nenhum brasileiro em destaque, apesar de algumas apresentações honrosas e até competitivas, não deixa de ser uma grande - e ótima - surpresa. Nunca seremos uma potência dos esportes de gelo e é assim que deve ser. As condições de clima e relevo são a base do desenvolvimento das modalidades a céu aberto. Não seria razoável virar esse conceito de pernas para o ar, provocando a Mãe Natureza em tempos de mudanças climáticas. Mesmo assim, o brasileiro se rendeu definitivamente à beleza plástica, radicalidade e competitividade dos jogos de Inverno, o que pode gerar novas oportunidades de negócio por aqui. Mas para explicar de vez tanto sucesso, talvez possamos ir além. Contrastando com o calor infernal do nosso Verão, Sochi foi um ar condicionado para os nossos olhos.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O sócio-torcedor tá voltando pra casa

Sempre tive um pé atrás em relação aos programas de sócio-torcedor dos clubes brasileiros. Sempre não, mas nos últimos 15 anos. Cansei de ver os clubes despejando dados da quantidade de sócios sem considerar os sócios ativos ou números do faturamento sem considerar os custos de manutenção e perdas de receita geradas pelos projetos. A desconfiança tinha motivo. Em 1998, quando iniciei minha carreira no Marketing Esportivo, no São Paulo FC, fui colaborador da comissão que criou o primeiro programa sócio-torcedor do Brasil. Faziam parte da comissão, além do então presidente José Augusto Bastos Neto, o vice Harry Massis, José Carlos Ferreira Alves (atual presidente do Conselho), Sebastião Lapola e Lúcio Astolfo Novaes de Araújo. Na verdade, com o respaldo do então diretor de Marketing, Lúcio Astolfo, escrevi o documento que foi aprovado com muitas ressalvas, que acabaram desvirtuando a ideia original. Tive que esperar uns 10 anos para ver os sócios-torcedores agrupados em segmentos, de acordo com seus desejos e necessidades. Também se passaram uns 15 anos até que a ideia do programa de sócio-torcedor como um clube de benefícios vingasse. Hoje, recebo com muita satisfação a notícia divulgada pela Máquina do Esporte sobre o sucesso da iniciativa da Ambev de oferecer descontos em produtos e serviços para os sócios, agregando nada menos que 100 milhões de reais, em apenas um ano, aos projetos de 45 clubes do futebol brasileiro. É chato ter razão, mas é melhor que não ter razão. Põe meia dúzia de Brahma pra gelar...


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Taxa de (pre)ocupação

Na semana passada, li uma matéria do Estadão sobre a baixa taxa de ocupação dos estádios brasileiros em 2013. Chega a ser um eufemismo. A taxa de 26% está mais para vergonhosa do que preocupante. Preocupação, sim, existe em relação aos estádios da Copa. Embora a taxa de ocupação da Série A seja consideravelmente mais alta, perto de 40%, muitos estádios servirão a competições menos expressivas. O mais óbvio é sempre atribuir a baixa taxa de ocupação ao baixo interesse do público, o que não é totalmente correto. A verdade, muitas vezes esquecida ou ignorada, é que a taxa de ocupação tem tudo a ver com o tamanho do estádio. Sim, a taxa naturalmente pode ser maior, com a mesma quantidade de público. Vale lembrar que na Premier League Inglesa, a mais poderosa do mundo, também com as taxas de ocupação mais altas, acima dos 90%, a média está um pouco abaixo de 40 mil assentos.  Um dos momentos mais críticos no projeto de um novo estádio é mesmo a tomada de decisão sobre a sua capacidade. O erro comum nesta fase é determinar o tamanho pela expectativa de público máximo. Mas, para ser economicamente sustentável ao longo do seu ciclo de vida, as arenas esportivas devem ser projetadas pensando na média de público. Segundo consultorias especializadas, algo em torno de 75% seria o ideal, ou seja, uma capacidade 30% acima da média estimada. Pensando dessa forma, os custos de construção são menores, assim com os de manutenção. Como a oferta de ingressos não supera tanto a demanda, os preços também são pressionados para cima. E o principal: a atmosfera do evento é muito mais legal com a arena lotada, melhorando a experiência de cada torcedor. Agora que já está feito, o jeito de é pensar em estratégias para levar o público para as novas arenas, mas essa já é uma outra história...

Matéria Estadão

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Estádios ou Casulos

Certa vez, ouvi de um respeitado especialista em Esporte, que a violência nos estádios brasileiros é reflexo da falta de segurança que marca nossa sociedade. Que o estádio não pode ser um casulo, capaz de distorcer a dura realidade do nosso dia-a-dia. Por que não? Talvez estejamos procurando onde nos abrigar, tornando os estádios locais de puro prazer e entretenimento, ao invés de ser o inverso, um extrato dos nossos problemas cotidianos. Não pude deixar de lembrar da guru do Marketing dos anos 90, Faith Popcorn, autora do best seller que se consagrou prevendo megatendências sociais e seus reflexos mercadológicos nas décadas que se seguiram. Algumas delas, mudaram a forma que vivemos e consumimos, como a customização de produtos, busca por aventuras reais e virtuais, causas sociais, entre outras. Muitos negócios de sucesso seguiram seus passos. Um dos conceitos mais importantes é o do encasulamento. Justamente por causa da violência urbana, pessoas equipariam melhor suas casas para nelas permanecerem por mais tempo, criando uma espécie de casulo. O mesmo aconteceria com seus automóveis. Também nos reuniríamos em comunidades fechadas, navegando entre a segurança real e percebida. Quem pode dizer que isso não aconteceu? Sob o olhar do futebol brasileiro, como negar que a aventura nos estádios foi trocada pelos pacotes de TV a cabo e pelos aparelhos de tela plana? Talvez essa seja a chave da questão! O que parece ser um problema, pode ser a grande oportunidade. Somos os donos desse destino. Os estádios não podem oferecer segurança absoluta, mas não seria demais pedir que sejam mais seguros do que as caóticas ruas da cidade, o que, convenhamos, com algum esforço e competência, parece relativamente mais fácil. Um lugar onde o torcedor possa livrar-se temporariamente das suas angústias, ao contrário de ser o fatídico espetáculo das suas frustrações. Para isso, é claro, são necessárias muitas ações práticas. Com certeza, isso não converterá os vândalos, mas fará com que procurem outro tipo de passatempo. Assim, iremos garantir vida longa e prosperidade aos velhos e novos estádios do Brasil. Feliz 2014.


*Popcorn, Faith. Relatório Popcorn. Rio de Janeiro. Campus, 1993.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Vamos lançar a caxirola

Sem surpresa. O que já estava escrito era um fim trágico para a caxirola. Desde a premiação que recebeu do chamado 'Plano de Promoção do Brasil' para a Copa do Mundo 2014, algo não soava bem. Menos chata que a vuvuzela sulafricana e também muito mais sem graça, não conseguia enxergar um futuro próspero para essa espécie de caxixi (pra não dizer que é um chocalho mesmo). Para piorar, outro projeto, do pedhuá (meu Deus, como se pronuncia isso?!), também foi selecionado com a promessa de se tornar a vuvuzela brasileira. Bem, podemos dizer que a estreia da caxirola não foi das melhores. Quando os torcedores do Bahia entenderam o 'lançamento' como uma competição de arremessos do artefato ao campo, revelaram nossa ignorância, mas nos libertaram (dentro do possível, é claro) da demagogia e falta de transparência que costuma aparecer por aí. Fosse, apenas um mero protesto contra a caxirola, seria até compreensível. Ah, já ia esquecendo… Com o incentivo financeiro do projeto, serão produzidas algo como 190 milhões de unidades da caxirola até 2014, uma para cada brasileiro. Já sabe o que vai fazer com a sua?

Mancha vermelha

O blog volta de longas férias, motivado por dois acontecimentos esportivos do final de semana passado: um inusitado e outro esperado. Vamos começar pela triste surpresa reservada para o lançamento dos novos assentos do Morumbi. O São Paulo FC finalmente convenceu o conselho do clube a utilizar um terceiro uniforme, mas os cardeais tricolores devem estar arrependidos. Eu mesmo me arrependo em parte por defender esta ideia, principalmente quando fiz parte da diretoria de Marketing do Tricolor. O sonho das gestões anteriores foi manchado por uniforme vermelho, que trazia a marca do patrocinador, as tradicionais listras horizontais até o símbolo do clube bem apagadinhos. A vergonha alheia é ainda maior pois, inevitavelmente, estão envolvidas neste projeto algumas pessoas que gosto e admiro. Nunca vi maior desperdício de oportunidade unido à falta de criatividade. Sinceramente, não entendi.